Anemia em lactentes e pré-escolares não indica deficiência de ferro |
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Questão Clínica: |
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O rastreamento da anemia em lactentes e pré-escolares identifica aqueles que têm deficiência de ferro? |
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Resumo: |
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Os resultados desse estudo nos trazem um dilema: não podemos ficar seguros de que uma criança não tem anemia se ela tiver níveis normais de hemoglobina, e também não podemos ter certeza de que ela tem anemia se o seu nível de hemoglobina estiver baixo. O rastreamento da deficiência de ferro em lactentes e pré-escolares pela checagem da hemoglobina sérica deixa de diagnosticar a maioria das crianças com deficiência nutricional e a maioria das crianças com anemia não tem falta de ferro. Como o autor desse estudo sugere, pode fazer mais sentido continuar uma suplementação de ferro em baixas doses para todas as crianças do que utilizar a estratégia do rastreamento. |
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Nível de Evidência: |
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1c (artigos relativos a diagnósticos)
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Referência: |
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White KC. Anemia is a poor predictor of iron deficiency among toddlers in the United States: For heme the bell tolls. Pediatrics 2005; 115:315-20. |
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Desenho de Estudo: |
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Estudo de coorte (prospectivo) |
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Distribuição da Amostra: |
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não se aplica |
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Casuística: |
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Base Populacional |
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Discussão: |
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Níveis insuficientes de ferro (o qual entra na composição de mais de 200 enzimas do corpo) estão associados a defeitos do desenvolvimento na primeira infância. A medida da hemoglobina sérica como indicadora de anemia é utilizada para o rastreamento da deficiência de ferro em lactentes e pré-escolares. O autor desse estudo avaliou a correlação entre a anemia e a deficiência de ferro ao examinar os dados da National Health and Nutrition Survey (NHANES). Conduzida entre 1988 e 1994, a NHANES foi uma pesquisa realizada com uma amostra estratificada da população dos EUA que incluiu 1289 lactentes e pré-escolares com idades entre 12 e 35 meses. Todas as crianças foram submetidas a exames de sangue completos, bem como às medidas de suas reservas de ferro: ferritina, saturação de transferrina e protoporfirina eritrocítica livre. A deficiência de ferro, identificada em 10,9% das crianças estudadas, foi definida como pelo menos dois dos índices acima com níveis abaixo do normal. A anemia foi definida como um nível de hemoglobina menor do que 11, 0 g/dl. Houve pouca relação entre a presença da deficiência de ferro e a anemia nessa mostra. As crianças com deficiência de ferro tiveram níveis médios de hemoglobina de 11,5 g/dl, o que, apesar de estatisticamente abaixo da média de 12,1 g/dl das crianças sem deficiência nutricional, ainda está acima da linha de corte para anemia. Apenas 28% (IC de 95%: 20-38) das crianças com baixa hemoglobina tinham efetivamente uma deficiência de ferro. A capacidade que a anemia teve de descartar a deficiência de ferro também foi baixa: a sensibilidade do teste foi de apenas 30% (IC de 95%:20-40). Em outras palavras, para cada 100 crianças estudadas, 9 tiveram anemia e 9 tiveram deficiência de ferro, mas apenas 3 das crianças com deficiência de ferro eram anêmicas e apenas 3 das crianças com anemia tinham deficiência de ferro. Não é uma grande associação. Resultados similares foram encontrados em dados da Nova Zelândia, Grã-Bretanha e Europa (vide a sessão de discussão desse estudo). |
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